A FALÁCIA DO REAPROVEITAMENTO DE RESÍDUOS
- 10 de jun.
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Não são poucas as leis e regulamentações para incentivar o reaproveitamento de resíduos sólidos, produtos descartados e que poderiam ser reaproveitados em um sistema fechado de economia circular. No entanto são poucos os resultados destas ações, principalmente no Brasil.
Infelizmente o nível de aproveitamento é da ordem de 8% em peso da totalidade de produtos que vão para o mercado. Os motivos são conhecidos e podem ser inumerados sem receio de erro.
A falta de envolvimento das empresas produtoras e comerciantes em geral aparece como um dos principais. Mesmo com a criação de associações especializadas para gerir a logística reversa do setor, mantidas pelas empresas em cada caso, satisfazendo à legislação da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), promulgada em 2010, com todos os méritos por ter sido muito bem elaborada, os resultados estão muito aquém do razoável.
É importante relembrar que os processos de logística reversa são em geral de alto custo, então poucas alternativas existem, ou as empresas enfrentam estes custos ou modificam os seus produtos para melhor se adequar aos impactos no meio ambiente. Sabe-se que muitos países europeus proibiram embalagens plásticas evitando as dificuldades de seu reaproveitamento.
O que está acontecendo no Brasil é que as empresas não se envolvem inteiramente, não colocam o problema como meta estratégica, estão pouco dispostas a arcar com os reais custos da logística reversa, não modificam seus produtos, e o governo parece tolerar ou não consegue penalizar o suficiente pela judicialização. O governo relança constantemente programas de logística reversa que pouco são cumpridos igualmente.
Existe incentivo aos catadores, seus sindicatos e associações, para melhorar a coleta, mas além de se manter uma atividade de subemprego usando-a como forma de coleta praticamente gratuita elas se concentram em descartes de resíduos que possuem certo valor como o papel, ferrosos, metais principalmente, sendo o restante deixado pelo meio ambiente.
Sabemos, entretanto, que embora a coleta seja uma das fases mais difíceis da logística reversa, não é o bastante para o reaproveitamento, como já mencionado em artigos neste site. A cadeia reversa interrompida certamente contribuirá para a poluição do meio ambiente, pois após a coleta segue-se o reaproveitamento do produto ou a reciclagem de seus materiais e, ainda mais complicado, o seu retorno para o mercado completando a economia circular.
Dado que ainda falta muito para se chegar a algo razoável, parece-nos que uma das únicas alternativas é a de que as empresas produtoras sejam de fato responsabilizadas pelos seus produtos descartados após usados.
Experiencias individuais mostram que muito é divulgado e pouco é realizado, dando a sensação para o cidadão que as operações e anúncios são feitos para o marketing, com resultados pífios e sem que o governo tenha condições de intervir. Mesmo em casos de equipamentos de alto valor em materiais recicláveis, como os eletrodomésticos, não se observa uma atitude ativa profissional para a coleta do usado, ao contrário, em muitos casos ainda o fornecedor não retira o eletrodoméstico ao entregar um novo.
Repetimos que a nosso ver é necessário que as empresas se envolvam realmente com toda a cadeia reversa, modificando seus projetos ou eliminando problemas para o seu reaproveitamento, facilitando a reciclagem ou remanufatura. As produtoras são as que melhor conhecem os produtos e, portanto, tem a tecnologia para estas modificações.
Como já insisti em outros artigos, a coleta é importante e difícil, mas é preciso ter a cadeia reversa completa, coleta – armazenagem e consolidação – tratamento industrial – reintegração no mercado. Lembro, outrossim, que certos materiais são campeões de reaproveitamento porque possuem valor econômico, principalmente os metais em geral, inclusive as latas de alumínio e ferro, além do papel.
Nesses casos, pelo valor econômico do resíduo, são realizados lucros em todas as fases da logística reversa, no reaproveitamento e em sua reintegração no mercado, o que denominamos em nossos livros de “Logística Reversa de retorno espontâneo”, que não necessita de legislação ou de outro tipo de incentivo pois se organiza naturalmente.
Se os custos totais de reaproveitamento (logística reversa, processos industriais, reintegração ao mercado etc.), no caso dos resíduos com baixo nível de retorno, fossem acrescidos ao “custo do produto”, certamente a maioria teria sua produção inviabilizada economicamente. Segue-se então que este custo está sendo pago pela sociedade, consuma ou não determinado produto o consumidor pagará pelo seu baixo reaproveitamento ou pela poluição decorrente!!!




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