LOGÍSTICA REVERSA E O DESIGN DO PRODUTO SUSTENTÁVEL

 

                     Consumo Consciente é aquele no qual o consumidor valoriza e privilegia empresas que contribuem com a Economia Circular, cuja ideia central é a do reaproveitamento hierárquico de produtos e materiais de pós-consumo, propiciando economia das matérias virgens em geral. Das empresas é solicitado responsabilidade face à sustentabilidade ambiental, na medida em que apresentem ações de reuso dos produtos, reparos, remanufatura ou reconstrução dos mesmos, manufatura reversa ou desmontagens dos produtos com reaproveitamento de seus componentes, reciclagem de seus materiais constituintes e destino final adequado aos rejeitos.

                 Até meados do século passado, em sociedades pouco urbanizadas, com meios de comunicação e economias regionais, era possível o consumo de poucos produtos e com alta durabilidade. No entanto, a partir do final do século XX, cada vez mais os produtos são concebidos para consumidores urbanos bem informados e economia mundial. A concorrência empresarial acirrada requer lançamentos frequentes de produtos novos com baixo ciclo de vida, tanto físico quanto mercadológico.

                Tendo em vista a impossibilidade de retorno ao sistema anterior de consumo, torna-se, portanto, irreversível a ideia de privilegiar o reaproveitamento de produtos e materiais, organizando as diversas formas ou cadeias reversas de retorno através da Logística Reversa.

                Estas ideias convergem para a necessidade de uma visão integrada do produto, analisando todo o seu fluxo ao longo das cadeias diretas e reversas, desde de sua criação na fase de projeto até o seu reaproveitamento e destinação aos mesmos mercados de origem ou a novos mercados. Assim, as empresas poderão avaliar os impactos do produto em todas as etapas desse fluxo, assim como os impactos gerados por suas movimentações, evitando ou mitigando os efeitos nocivos ao meio ambiente e facilitando o seu reaproveitamento.

               Os produtos planejados com esta visão deverão satisfazer às condições de sustentabilidade ambiental desde a concepção de sua fabricação, de suas embalagens, dos transportes, das armazenagens, assim como a preocupação na sua utilização pelo consumidor e pelo seu reaproveitamento de alguma forma, após seu descarte, fechando o ciclo virtuoso da sustentabilidade.

               O projeto dos produtos para a Economia Circular, e para uma eficiente Logística Reversa de pós-consumo, deve considerar, além de suas características técnicas e inovadoras típicas dos projetos modernos, os seguintes aspectos:

  • Utilização de materiais constituintes recicláveis

Materiais recicláveis que possuem tecnologia conhecida e incluir em sua estratégia a busca de novos materiais de menor impacto ao meio ambiente.

  • Redução de materiais nocivos ao meio ambiente e à saúde em geral:

Se possível, privilegiar a utilização das regras Rohs (Restritions on the use of Hazardous Substances – Restrições no uso de Substâncias Perigosas), originárias e implantadas na Europa e que, embora algumas vezes difíceis de aplicação, devem ser perseguidas.

  • Incorporação de produtos ou componentes remanufaturados nos novos produtos:

Esta é uma condição essencial para a geração de mercado para estes produtos ou componentes, o que é fundamental para o ciclo virtuoso sustentável. Para tanto muitos preconceitos empresariais e da sociedade deverão ser superados.

  • Incorporação de materiais reciclados nos processos de fabricação:

É também condição essencial para a geração de mercado de materiais reciclados. Valem as mesmas ideias do item anterior quanto aos preconceitos.

  • Embalagens retornáveis ou reutilizáveis preferencialmente às descartáveis:

O estudo consciencioso da utilização de embalagem descartável ou retornável deve levar em conta, além dos efeitos sobre o meio ambiente, o equacionamento de todos os custos incorridos em cada caso. Empresas astuciosas e com responsabilidade ambiental somarão os custos da Logística Reversa de pós-consumo aos da embalagem descartadas.

  • Condições de transporte e armazenamento

Em todas movimentações dos produtos e materiais é necessário planejar estes recursos de forma a reduzir emissões, garantir eficiência nas viagens, assim como a escolha adequada do modal de transporte.

  • Organização da Logística Reversa

A Logística Reversa de produtos e materiais de pós-consumo poderá se dar de forma espontânea, quando existe interesse econômico no seu reaproveitamento, ou através de legislação. Sua organização, embora complexa, é fundamental para garantir eficiência nos processos de equacionamento dos fluxos de produtos e materiais usados para os devidos destinos.

  • Facilidade para o reaproveitamento 

Trata-se de planejar o projeto do produto tendo em vista a minimização de custos nos processos de reaproveitamento. Projetistas astuciosos darão atenção especial às operações envolvidas com o reaproveitamento do produto, componentes ou materiais constituintes. O projeto portanto visará a redução ou eliminação de aspectos construtivos que dificultam a desmontagem dos produtos, assim como a perfeita identificação dos materiais constituintes de suas partes. Tais como:

  • Fixações por meio de soldas metálicas ou colas

  • Uso de ligas ou mesclas de materiais

  • Diversidade de Cores

  • Número de plásticos no mesmo produto

  • Entre outros aspectos

  • Disponibilização de manuais detalhados para manutenção e desmontagem

Os manuais de produtos nem sempre incluem as condições de manutenção e de desmontagem eficiente. É importante oferecer estes manuais pois, não raro, os produtos apresentam materiais perigosos à saúde e o conhecimento do processo de desmontagem, de forma segura e eficiente, garantirá custos menores, evidentemente gerando benefícios para todos.

 

                 Percebe-se a enorme oportunidade que o projeto do produto apresenta para a Economia Circular e a Logística Reversa, sendo o melhor momento para refletir sobre estes aspectos abordados. Ressalte-se, no entanto, a necessidade de formação de projetistas com estes conhecimentos e dispostos à contribuição com a sustentabilidade ambiental.

                                                                                                                         

                                                                                                                                            Prof. PAULO ROBERTO LEITE

 

 

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